Pé Diabético - Bruno Condolo

Denomina-se pé diabético qualquer alteração ou complicação aguda (recente) ou crônica (de longa data) nos pés do diabético, atribuídas à hiperglicemia crônica. Com o passar do tempo, a hiperglicemia prejudica gravemente o organismo, levando a uma série de alterações dermatológicas, neurológicas, ortopédicas e vasculares. Alterações como calos, rachaduras, espessamento das unhas, micoses, deformidades ósseas, feridas de difícil cicatrização, infecções e, nos casos graves, até a gangrena.

A maioria dos indivíduos que apresentam algum grau de alteração neurológica (formigamentos, câimbras, diminuição da sensibilidade) ou alteração circulatória (diminuições da pulsação arterial e da temperatura, ou ainda, palidez nos pés) podem desenvolver feridas de difícil cicatrização e que geralmente são desencadeadas pelo uso de calçados inadequados ou simplesmente andando descalço pela casa.

Prevenção

De qualquer forma, é importante que o diabético cuide diariamente de suas unhas e da pele dos pés, lavando-os com sabonetes suaves, enxugando cuidadosamente entre os dedos com toalhas macias, hidratando-os após os banhos, aparando as unhas retas (ou lixando-as) sem retirar as cutículas. O paciente deve fazer a inspeção diária dos pés e dos dedos, incluindo a planta do pé e a região entre os dedos a procura de ferimentos e micose interdigital, lesões frequentes que possibilitam a penetração de bactérias nos pés.

Tratamento

Algumas pesquisas indicam que 2 em cada 3 diabéticos de longa data e com deformidades ou feridas nos pés tem algum grau de má circulação arterial nas pernas, ou seja, o sangue rico em oxigênio e nutrientes alcança os pés em quantidade menor que o normal. Na ausência de feridas ou infecção, muitas vezes a má circulação pode ser tolerada pelo paciente diabético. Entretanto, quando existem lesões nas extremidades, de qualquer tipo, e principalmente associada a infecção, as demandas metabólicas necessárias para a cicatrização e combate a essa infecção podem subir exponencialmente e aquela circulação antes apenas diminuída passa a ser insuficiente. Associado ao fato de menor concentração de medicações, por exemplo antibióticos, chegar aos pés quando não há uma circulação adequada, somando-se estes fatores, o pé diabético com feridas e falta de circulação está exposto a um enorme risco de evoluir de forma desfavorável, eventualmente com gangrena e amputação nos casos extremos. Dessa forma, quando existem lesões (feridas) em pés muito isquêmicos (falta de circulação severa) ou em pés moderadamente isquêmicos, mas que mesmo após algum tempo de tratamento com curativos teimam em não cicatrizar, nestes casos, pelo risco de complicações maiores, existe a tendência atualmente a se realizar algum procedimento no sentido da tentativa de se reestabelecer ou melhorar a circulação de sangue naquela extremidade.

Existem algumas formas de se melhorar a circulação nas pernas que estão em risco. Normalmente esse processo começa com um exame de imagem que forneça detalhes anatômicos do leito arterial do membro afetado. Tais exames compreendem desde um simples ultrassom com Doppler, angiotomografia, angiorressonancia podendo chegar a exames mais invasivos como a angiografia por cateter (Cateterismo). Quando corretamente indicados e realizados com sucesso estes procedimentos ajudam muito a diminuir as taxas de amputação e mesmo de morte.

Se você ou seu familiar apresentar algum dos sintomas citados anteriormente, peça para que o clínico ou o endocrinologista que cuida do seu diabetes avalie regularmente a sensibilidade e a pulsação dos seus pés. Havendo a suspeita de um problema de circulação, consulte um Cirurgião Vascular para uma avaliação especializada. O especialista cirurgião vascular está familiarizado com as melhores técnicas de diagnóstico e pode atuar em todas as áreas do tratamento do pé diabético.

(Texto retirado do site da SBACV-SP)